Sunday, September 04, 2011

Vamos treinar na praia


Amigos,

O primeiro treino, em Maio de 2004, foi uma primeira tentativa para experimentar como seria treinar na praia. Éramos poucos, talvez uma dúzia de karatecas. Fomos cedo, para não dar muito nas vistas e adorámos a sensação. Retomámos em Maio de 2009 no mesmo local, agora com muitos mais praticantes e a com a colaboração preciosa do Sensei Julião (com ele o treino acaba sempre com o kimono ensopado no meio das ondas). Em 2010 voltámos a fazer, ainda com mais gente, mas em Setembro, ainda dentro da época balnear, sempre cedo para não dar nas vistas nem incomodar os banhistas.
Este ano, celebramos a entrada na nova época desportiva com mais um treino na praia, que se realizará no dia 17 de Setembro pelas 09h30 na Praia da Mata, na Costa da Caparica (entrando pela entrada principal da praia, virar á esquerda cerca de 200 metros e juntar-se aos indivíduos vestidos de branco).
O treino é adaptado para todos poderem treinar: praticantes avançados, iniciados, crianças, adultos, ex-praticantes, candidatos a praticantes ou quem tenha curiosidade em saber como é praticar karate. O treino é gratuito. Convidem os vossos amigos a participar. Precisamos de mais karatecas no nosso dojo.
O que é necessário trazer: para além de boa disposição, os karatecas deverão trazer kimono e fato de banho por baixo. Para os que não são praticantes ou deixaram o karate há tanto tempo que os kimonos já não lhes servem, tragam fato de banho e t-shirt.
Depois do treino, despimos os kimonos, vamos ao banho e acaba tudo com uma futebolada na praia ou com outras actividades lúdicas.
A vantagem, é que os familiares podem trazer o seu chapéu de sol e apreciar tudo no conforto da praia e com banhos de sol e de mar.
Treinar na praia é algo de indescritível, apareçam e usufruam de uma manhã memorável.

Oss,

Thursday, July 16, 2009

O Verão do nosso contentamento

Chega o Verão e com ele, o final de toda uma época de treino intenso, fechando com chave de ouro com o estágio de Verão de CPK. E se este estágio foi grandioso por tudo aquilo que o Sensei Luis Sanz nos transmitiu, mais memorável se tornou com a graduação de Shodan (1º dan) de dois dos mais emblemáticos praticantes do nosso dojo: Óscar Martins e Inês Banha.
O Óscar, porque é neste momento, em plena actividade, o praticante mais antigo (e na idade também). A Inês, por se tornar a primeira representante do sexo feminino a atingir esta graduação. Confesso que me sinto muitíssimo feliz por eles terem atingido este objectivo. É gratificante para mim olhar para eles e fazer um "flashback" do seu percurso de cinto branco a cinto negro. Eles são a prova viva que o esforço, a dedicação, o empenho e a perseverança compensam. A Inês iniciou a práctica com 9 anos, uma criança ainda. Hoje com 20 anos continua a ser a nossa coqueluche e um exemplo para todos. O Óscar, convencido a praticar karate por um amigo que morava perto do dojo, começou a praticar juntamente com o seu filho, o seu amigo e o filho deste. Volvidos 11 anos, apenas ele persiste, treinando com afinco, mostrando aos mais jovens que há tempo para tudo. Tenho um imenso orgulho em ambos, assim como em todos aqueles que colaboraram para que eles atingissem este objectivo.
Foi um início de Verão em grande onde nem faltou o reecntro com os outros dois cintos negros do dojo, com particular destaque para o Nuno Costa que vive actualmente no Rio de Janeiro e que nos visitou (e treinou connosco). Saravá, Nuno.
Para todos, votos de umas boas férias e em Setembro lá estaremos no dojo.




Um abraço,
MM

Sunday, April 19, 2009

Um ano sabático

Esta é a prova de que o tempo é implacável. Quando dou por mim, passou um ano sem que escrevesse neste blog. E tanta água passou debaixo da ponte durante este ano de interregno. Profissionamente falando, foi um ano de consolidação (e nos tempos que correm, se isso é importante!) pois completei o meu estágio na Câmara Municipal de Lisboa e pertenço aos quadros técnicos da autarquia. Foi um ano muito profíquo em viagens, pois visitei Roma e Paris, duas cidades que há muito ambicionava conhecer. Foi um ano importante porque comprei uma cabaninha perto da praia (assim arranje eu tempo para usufruir dela). E claro, foi um ano gratificante pela minha graduação de 4º dan, logo, um ano de esforço, muito treino, muita "porrada" no lombo (obrigado Mestre Cláudio Fung), lesões pelo meio, etc.
Prometo não estar tanto tempo sem escrever, tentando sempre dizer coisas que interessantes. Aqui ficam algumas fotos do ano em revista. Até breve com novas postagens.






Wednesday, March 05, 2008

2 estágios, 2 grandes mestres: Duplamente gratificante

O fim-de-semana de 22 a 24 de Fevereiro ficou marcado pelo estágio da AKDS, na Moita, com orientação do Sensei José Ramos. No fim-de-semana de 1 e 2 de Março, marquei presença no Dojo Ten Chi, em Sintra para um estágio memorável com aquele que é um dos melhores aikidocas da actualidade - O Shihan Christian Tissier, 7º Dan Aikikai.
Com o mestre Ramos, aprendemos sempre algo de importante, pois é alguém que vive o karate como poucos. Respira karate e, apesar de já não ser o executante de outros tempos, fruto dos problemas físicos que o têm acompanhado nos últimos anos, consegue transmitir o que quer que façamos e põe-nos a fazer o karate que idealiza. É isto que define um grande mestre. Saber fazer, mas acima de tudo, saber como transmitir esse "saber fazer". Os treinos foram variados e muito interessantes do ponto de vista da execução do kihon dois-a-dois, utilizando técnicas e deslocamentos variados e com alguma complexidade. No estágio do mestre Tissier, tive muito mais a absorver, pois aí sou um 4º kyuzinho e estou perante todo um registo absolutamente diferente daquele a que estou habituado, logo, tenho que processar muito mais informação. Existe por vezes uma tendência muito acentuada para desvalorizar as outras artes em detrimento da nossa. Na minha modesta opinião, isso é errado. Tudo tem um lado mais positivo e um lado mais negativo. Existem lacunas e virtudes em todas as artes e desportos de combate. Vejamos então: no karaté, a distância de execução é estabelecida numa circunferência em nosso redor, normalmente onde chega a o nosso punho ou a nossa perna. Temos que impedir a todo custo que o nosso oponente entre dentro da nossa esfera (se lhe quisermos chamar assim). No aikido e no judo o oponente tem, impreterivelmente, de entrar na nossa esfera para podermos actuar. No judo entrando na técnica do oponente e projectando-o de uma forma directa (e usando a força deste como coadjuvante). No aikido a forma de encarar o confronto é numa perspectiva de ruptura do centro de equilíbrio do adversário, em movimentos circulares, como uma esfera dinâmica. No fundo, em poucas palavras, o karateca é especialista no combate a um distância mais longa, tendo como grande arma, o atemi. O judoca e o aikido ca é especialista num combate de maior proximidade, tal como se o combate chegar ao chão, o especialista na matéria é praticante de ju-jitsu. Penso que é importante, a partir de um determinado nível de prática, ter algum contacto com outras formas de combate. Eu pratico Aikido há dois anos e tenho melhorado os meus bunkai com o que aprendo no aikido, até porque no karaté não temos técnicas de imobilização e isso pode ser fundamental, depois de um atemi, ou de uma defesa, para impedir que o oponente volte à carga. Quando olho para um kata vejo todo um leque de aplicações que anteriormente não via. Quando executo um tsuki ou um pontapé tento reflectir com os olhos do aikidoca, tal como quando pratico aikido tenho sempre presente o olhar do karateca. É apenas uma questão de prisma.
Ouvir falar e executar um grande mestre, é uma experiência muito idêntica qualquer que seja a arte de que estejamos a falar. No caso do mestre Tissier, tudo parece tão fácil de fazer e no entanto, tão complexo é todo aquele rodopiar levando o adversário completamente enredado numa teia de técnicas. Ao mesmo tempo tão harmonioso e tão brutal, tão eficaz.
Não gostaria de encerrar a minha postagem sem agradecer a forma como fui recebido na Moita, pelos amigos da Associação de Karate do Distrito de Setúbal, assim como prestar homenagem ao Prof. Dr. e Sensei Abel Figueiredo, pela forma como consegue "prender" a plateia com as suas prelecções sempre interessantes, quer pela forma como comunica, quer por toda a sapiência demonstra.

Sunday, February 10, 2008

Variação ou deturpação?


Ora cá estou eu outra vez! Qual escritor conceituado, eu também tenho que tirar um período sabático antes de lançar a minha obra prima. Claro que chamar obra prima a estes chorrilhos de disparates que são as minhas reflexões...mas adiante, hoje venho lançar uma temática que me tem suscitado algumas dúvidas. Refiro-me às regras para avaliação de katas nas provas federativas. Dizem as regras que nas katas tokui, são permitidas pequenas variações. Ora isto sugere-me uma questão semântica, ou seja, o que cada um de nós entende por "variação". Para mim, uma variação pode ser uma marcação mais pronunciada num ponto de paragem, um revirar de mão, um deslizar de pé mais lento, enfim, algo que não implique um acrescento de movimentos ao kata que não estejam na sua essência. Claro, que o contexto de uma prova federativa é muito sui generis, pois estamos a falar de uma situação em que um praticante de karate shotokan - como é o meu caso - tem que avaliar a execução de katas de Goju, Shito, e Wado ryu. Ora, eu não tenho que conhecer as 48 katas de shito ryu (será que que o pessoal de shito as sabe todas?), tenho que avaliar a qualidade de execução do atleta, a força, velocidade, timming, postura, deslocamentos, etc, logo, posso ser ludibriado por um atleta que altere gravemente a kata do seu estilo. Aliás, eu já presenciei uma situação destas há cerca de 2 anos e devo dizer que foi muito estranho para mim, sendo que nessa altura ainda não era árbitro da FNK-P.
Numa prova de kata de juvenis masculinos, um atleta executa uma bassai dai, muito bem executada no que à forma diz respeito, bom kime, respiração adequada, boas posições, velocidade de execução, enfim, uma execução de encher o olho, não fosse o facto de....ter, pura e simplesmente, subtraído uma técnica à kata! O atleta não vacilou, não demonstrou qualquer hesitação (o que demonstra a qualidade do executante, apesar de se tratar de um miúdo de 15 anos) e quando da decisão, o juíz de shotokan do painel fez sinal de que o kata fora mal executado. Perante esta sinalética, foi dada a vitória ao outro atleta. Tudo normal - dirão. Claro! Só que a história não acaba aqui. O Arbitrador - que é um árbitro de estatuto superior e que tem como papel avisar o painel de infrações às regras - chamou o painel e disse-lhes que não podiam tomar em linha de conta o parecer do juíz de shotokan, pois tratava-se de uma kata tokui (logo, passível de variações) e por tal facto, cada um teria de avaliar não ao conteúdo, mas a forma.
Resultado: foi feita nova votação/decisão, o dito atleta ganhou e chegou à final, sagrando-se vice-campeão regional!
Já passou algum tempo desde que isto aconteceu, já fiz o curso de juíz regional de kata, já coloquei esta questão a pessoas ligadas à arbitragem, de qualidade e competência técnica insuspeita e a opinião generalizada é de que uma situação destas deve ser penalizada.
No entanto, se são admitidas "pequenas variações", como saber o que é uma variação, uma omissão ou um erro.
Se avaliamos 2 atletas que competem entre si, cada um fazendo as variações que entenda, o que vou avaliar? O que executa a kata na sua forma correcta ou aquele que faz as melhores variações?
Merece a nossa reflexão, não acham?

Tuesday, November 27, 2007

Temos campeões



Após mais um interregno, cá vai mais uma crónica (se é que se pode chamar crónica a esta coisa). Em primeiro lugar, dar os parabéns aos karatecas portugueses que no último fim de semana dignificaram o nome de Portugal no Campeonato Europeu de Cadetes, Juniores e Seniores da ESKA, que decorreu em Matosinhos e que contou com a presença de um elevado de atletas de vários países.

Não conheço todos os atletas medalhados mas, há dois que destaco: Jorge Caeiros, que arrecadou o título de campeão europeu de kata individual na categoria de juniores (ele que já havia sido vice-campeão da europa de cadetes em 2005 e 3º na categoria de seniores em 2006!) e Carlos Castro que se sagrou igualmente campeão europeu em kumite individual masculino na categoria de juniores. Estes dois atletas têm a particularidade de serem muitíssimo bons competidores e, tanto quanto julgo saber, estudantes universitários com uma perfomance notável e, pasme-se, têm vida para além do karate!

Esta conversa toda serve para quê no fundo? Serve para explicar a todos aqueles que abandonam a prática do karate com a desculpa de que não têm tempo para treinar, porque têm que estudar e o karate atrapalha, porque andam muito cansados, etc, etc, etc....

O que dizer então destes jovens, que têm os mesmos gostos de todos os jovens, têm amigos com quem gostam de saír, programas de tv que gostam de ver, cd's para ouvir e muitas outras coisas agradáveis para fazer. O que dizer então de jovens que investem tanto do seu tempo e energia para treinar ao mais alto nível, pois não se chega a campeão europeu, ou até mesmo nacional a treinar 2 ou 3 vezes por semana. A juntar a isto, o tempo gasto nos campeonatos, torneios, treinos de selecção, viagens longas no país e estrangeiro. Eu pergunto: o que faz correr estes jovens numa época em que a maioria destes jovens têm tudo de "mão beijada". Para quê tanto esforço para conquistar uma graduação se ali ao lado, na sala de Body Combat o ambiente até é mais animado, tem música e até apuro a forma física? Ou então, para quê perder tanto tempo quando posso estar aqui no sofá, a ver o meu programa favorito agarrado a um balde de pipocas e uma Cola de 1,5l bem fresquinha ao lado?

Muitas vezes dou estes exemplos aos meus alunos, não com o sentido de se tornarem grandes campeões de kumite ou kata, mas para que sejam grandes campeões na vida. Que procurem incessantemente os seu objectivos com persistência, com garra e atitude positiva e, claro está, com respeito pelos outros. Não é isto que tentamos transmitir no dojo? O dojo kun é só para para fazer vista?

É muito gratificante ser campeão. É gratificante para o atleta, para o treinador, para os pais, para a escola, para os colegas de treino, para todos. Mas é importante que nunca nos esqueçamos dos princípios que abraçámos ao iniciar a nossa prática: carácter, sinceridade, esforço, etiqueta e autocontrole.

Por vezes, mais difícil do que saber ganhar, é saber perder. Não me refiro a gostar de perder, pois eu não gosto de perder nem a feijões. Refiro-me a aprender com o insucesso. A perceber porque falhámos e usar esse fracasso para nos ajudar a chegar à próxima meta. Por vezes é mais importante desviar o olhar daquele nosso atleta que exulta com a conquista de uma medalha e centrar a nossa atenção num outro que, cabisbaixo se refugia num canto, frustado por não ter conseguido o mesmo sucesso do colega. É nesses momentos que devemos saber mostrar que para se ser campeão não é preciso subir a um pódio.

Campeão é aquele que sai a correr para combater um fogo que ameaça uma população, é aquele técnico do INEM que salva uma vida, é aquele que zela para que quando nos levantamos não temos uma montanha de lixo à porta. Campeões, foram os meus pais que se sacrificaram para que eu tivesse instrução e capacidade para entender isto.

Oss

Wednesday, September 26, 2007

Karate Desportivo Versus Karate Tradicional ou Karate desportivo e Karate Tradicional?

Parece que não tenho mais assunto, pois estou sempre a "bater na mesma tecla", contudo, este é um dilema, digamos assim de todo aquele pratica com seriedade esta arte (ou desporto?). Serão inimigas estas duas vertentes? Penso que não. Podem perfeitamente coexistir, sem "choques" ou dúvidas existenciais. Na minha modesta opinião, nos nossos dojos devemos ensinar o karate que aprendemos dos nossos mestres. As nossas aulas não têm só praticantes com a competição nos seus horizontes. Aparecem pessoas com as mais diversas motivações e, nós instrutores temos que dar resposta a quem nos procura. Mas também não podemos "cortar as pernas" a quem quer fazer Karate desportivo. Na semana passada, em conversa com o meu amigo Rui Diz, remeteu-me para um site na internet da escola de Karate Torres Baena, nas Canárias e para o facto de ali haver aulas segmentadas por idades, aulas de karate de competição e, imaginem de.....karate tradicional. Achei muito interessante , isto vai precisamente ao encontro do que eu defendo. A base é importante pois o karate desportivo não dura toda a vida e é bom podermos treinar com 50, 60 ou 70 anos, sempre com o mesmo prazer.
Voltarei ao tema, mas não hoje pois já estou atrasado para a reunião de encarregados de educação.
Ponho-me a falar de Karate e depois dá nisto....!