Friday, January 13, 2006

TAÇA CPK E OUTRAS HISTÓRIAS...



Ainda não tinha tido a necessária "pachorra" para escrever umas linhas, por isso fui deixando passar o tempo até que, dissesse cá para os meus botões que estava na hora de escrever.

No passado fim de semana, a pedido do meu companheiro de "porradas" de muitos anos, Paulo Julião, lá vesti o blazer azul escuro, calcinha cinzenta, gravata azul escura e lá foi o rapaz arbitrar na Taça CPK de Seniores. A prova era organizada pela Associação Desportiva Bobadelense, conjuntamente com o C.P.K. e, qual não é o meu espanto ao me deparar com um Pavilhão enorme, sem público algum e ainda com uma larga maioria de atletas oriundos do norte do país.

Claro que a ocasião foi aproveitada pelas pessoas que representavam a direcção do CPK (que eram do norte) "baterem no ceguinho": "não aparece ninguém do sul nestas coisas", "não vale a pena organizar coisas no sul", etc, etc

Não deixam de ter alguma razão, pois se pensarmos no investimento necessário de tempo e dinheiro para quem mora em Barcelos, Vila das Aves ou Porto para atravessar meio país e, no fim, competir quase só com atletas nortenhos, penso que está tudo dito...

Eu sei que a nossa associação está concentrada a norte, nomeadamente de Pombal para cima, contudo ninguém pode negar que temos karaté de grande qualidade aqui no sul, quer estejamos a falar do Estoril, Amadora, Bobadela ou do Barreiro. Existe qualidade e trabalho, e isso comprova-se entre outras coisas, com os torneios que organizámos recentemente para os mais jovens e que tiveram cerca de 200 miúdos e comprova-se exames de Dan, onde os praticantes do sul exibem um excelente nível. Há trabalho, há material humano, faltará algum bom senso para que as pessoas se juntem entre si e puxem todas para o mesmo lado e acabem com a"ilhotas" - como diz o Sensei Ramos. Sózinhos não somos nada, juntos temos o mundo na mão (lá diz a canção).

Mas penso que também os responsáveis do CPK deverão reflectir se querem investir no crescimento a sul ou não. Não me parece uma atitude muito coerente marcar um torneio de Seniores na véspera do campeonato regional de seniores da zona centro sul. Nenhum treinador com "dois dedos de testa" correria o risco de mandar um atleta desgastar-se (e arriscar-se a uma lesão) na véspera de uma prova que dá acesso ao campeonato nacional e, eventualmente a uma vaga na selecção.

No que à minha escola diz respeito, os seniores que treinam comigo, que ainda são alguns e têm muita qualidade, não parecem ter na competição desportiva a sua motivação principal. Gostam do karaté tradicional, do ippon (na verdadeira acepção da palavra), do golpe definitivo. Não das "pipocas" e toquezinhos de esgrima de luvas. Não posso, nem devo obrigá-los a isso!

Enquanto treinador, estou disponível para treinar aqueles que quiserem ser campeões mas, não me peçam para idolatrar este tipo de karaté. Como costumo dizer nos treinos, vale a pena competir para conhecer as várias vertentes do karaté. A competição é um meio, não um fim. Um podium é um estado efémero, mas o verdadeiro karateca perdura.

Não me esqueço das palavras do Sensei Watanabe(penso que foi ele que disse) " alguém se lembra de quem foi campeão em 94, ou em 97?", ninguém sabia......será que interessa?

Aproveitemos os valores, os princípios que os Senseis Funakoshi e Nakayama nos legaram e não nos esqueçamos das nossas origens.

Oss